Translate
sexta-feira, 29 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Bem-vindo ao estranho mundo
VIAGEM A ANDARA oO LIVRO INVISÍVEL
De Ó Serdespanto

Em algum lugar do estranho mundo
mãos se tocam em silêncio branco
quando esquecida é a existência do deus
que causa a dor
Uma ave vai pousando em seu ninho,
traz nos olhos os espantos do dia que se acaba, se acabaMas a tarde nos serena, com a promessa
de que logo vai anoitecer
para novamente nos tornarmos sombras, nos tornarmos sombras,
nos tornarmos sombras
Devolvidos aos ninhos escuros, escuros, escuros
Ah como nos assusta caminhar sob um sol
A este lado da esferaainda não veio o tempo do repouso A terra geme,
a fatigada, fatigada
Os homens nos caminhos do crepúsculo da raça
perderam seus olhos
nos cílios pesados de bronzes antigos As estátuas com nódoas de vergonhas,a vergonha, a vergonha
Nunca mais tu ouviste
o sino que chamava os gestos brandos do fundodo templo
Ah a sina
do efêmero encarnada em tudo que se moveà nossa volta
Mas tu ouves num inseto de outono o Inseto
do outono
As folhas que se fecham sem desprezo
Num ramo que se parte e cai sozinho,
nenhuma força negativa pousou neste inverno
No estranho mundo, alguém está deixando
o pequeno portoem seu leito de morte,
e isso nos faz mais lentos do que o cedro transformado em leito macio
porque de madrugada alguém, que será outro,
acaba de nascer na casa verde ao ladoAh o ir e vir dos viajantes pelas estrelas, as estrelas,
as estrelasComo tem poder um gesto
branco branco
quando vêm do fundo na noite os silêncios
em que nasce a flor a rubra da ternura
À noite a noite a noite
banhará as frontes que sonham serenas o sereno
Um cão se encosta ao dono
e ao seu odor humano
Ah como é lento este aprender a semelhança
entre a pata do animal e o gesto humano
Misteriosa, uma estrela agora desce sobre o bosque
dos destinosA filha dos pântanos se agasalha em folhagens negras
O sol tem um ritmo de sangue,
anunciando um novo despertar do mundo
Ah como renasce este outro lado da terra, a dourada, para a luz
Um emblema de paixão te é dado a cada dia
E o vinho está servido nos sentidos
para ser bebido por aqueles que tiveram as suas mãos feridas, feridas,
as feridas
Claro e escuro é o mundo
Ah o espanto daquele que desperta após um breve sono O anjo, em ossos
Se adormeceu no fim da tarde
e abre os olhos na penumbra
que não sabe
se anuncia um anoitecer de pedra
ou ainda a areia as auroras da vida
Por algum tempo, permanece mudo
E não pode se dizer o que virá depois, se luz, se treva
Ah a garganta quando quer cantar uma canção de pura luz
Ah o irmão perdido Ah a voz que prefere calar
diante do crime do irmão
Em algum lugar do estranho mundo
mãos se tocam em silêncio branco,olhos se olham em virtude azulada,
peles se roçam na intimidade dos amigos
Ah os ninhos que se constrói com o afagado
e o murmuradoQuem são aqueles dois que agora cruzam a ponte
entre suspiros e brumas,
ignorando o cão de ferro que late em seus calcanhares
Levando um peixe de ouro, o pescador de sonhos
Ei-lo que vai voltando para o recanto do estranho mundo onde ergueu sua casade palha e centelha convivendo em paz
Ah a ave distendendo as asas
no amanhecer do ninho, o ninho para reiniciar a aventura da leveza
Como é leve esta pedra no caminho
Como é longo o culto à árvore
em que se enterram as raízes da família
e o choro da criança pela primeira vez
Não tires a tua mão da claridade
da minha mão cansada que repousa em ti,
para ocultar na sombra
Ah
não esperes o receio
para te abrigar em meu peito, diz a voz branda
e longe uiva a fera do adeus
Quem são aqueles que atravessam a ponte
sem temer o cão de ferro, a vidaE por que ainda está ausente o peixe
As planícies de escamas, ao longe, ao longe ao longe Mais uma estrela
caiu dos teus olhos
Ah os que caminham juntos sobre as águas
e a paciência do homem com a madeirapara fazer a casa e a cama
onde o recém-nascido acaba de chorar pela primeira vez
enquanto a vida também constrói para ele
uma ponte
e um latir de ferro em seu calcanhar
apontado para o céu,
enquanto o sangue verde lhe desce à cabeça
enquanto o olhar da mãe de lábios lívidos
Ah o nome que daremos a tudo isso
que nos envolve,e que chamamos vida,
quando voltarem os tempos perdidos
ao regressarmos aos ninhos de verão,
dois a dois
atravessando a ponte,
pisando as marcas dos passos dados pelos anos puros
Aquela que tece a lã generosa
porque crê no balido do amigo,
ah
como a chamaremos depois que cessar nosso primeiro choro
e a Casa ao lado for a nossa casa?
Ah o encanto da carne
quando é esquecida a existência do deus
que causa a dor
Ah o encanto da dor
quando esquecida é a existência do deusque causa a carne
Mãos se tocam em silêncio branco
em algum lugar do branco e estranho mundo
domingo, 10 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
VII Cinzas do Caminho que se encontra
porque o dia que passa agora é um Sol negro nos Passos humanos, sobre nós,
eu
te acolho em minha Sombra
de Ternura para o Incêndio das Fontes que virão
E se dizes, dos meus passos: São meus passos
eu digo dos teus passos: São Teus passos
E assim,
indo,
aVe
que o Vento nos ventos: Destinos de areia
já não sabe se conduz ao Crepúsculo
ou se a Aurora já é a Penumbra que cintila em nossos Olhos,
porque outra vez Somos o que fomos
Eis:
a Asa
Invisível
murmurante no Horizonte
Pois agora Teumeu é o Corpo Entre Véus
oO Pas
so
que vindo,
não passará
terça-feira, 29 de maio de 2012
VI Oniá um Lugar cintilante
VIAGEM A ANDARA oO LIVRO INVISÍVEL
I fragmento de Oniá um Lugar cintilante, livro visível de Andara em manifestação
Fosse uma vez em Andara
Um homem olhando um horizonte vazio de repente viu outro horizonte vazio em si
O que faz um homem quando cai assim sem ter mais o Amparo de estrelas e carne nO Vazio sem fim fora e dentro de si? Debaixo dele desapareceu a Terra, sobre ele já não havia mais o Céu
e sua cabeça tombou para o peito escuro esse peito sem fundo
Ficou ali nO Escuro nada havia a fazer a não ser ficar ali
A menos que
Se nada acontecesse nada aconteceria
Mas aconteceu
Um vento vindo não se sabe de onde passou por ele agitou seus cabelos e se foi sumindo na Floresta que as suas costas ocultavam
Esse vento
veio como o Vento da Voz que tendo o Dom de nos adormecendo criar realidades fosse essa vez em Andara vai contar esta história,
mas sendo o Vento da Vida em vez de o adormecer, o despertou de seu vazio vazio O Vazio em que tombara
e
O que acontecerá agora?
E
o despertando ou lançado dentro de um sonho em que voltavam sob ele a Terra e sobre ele o Céu,
ele imergindo nisso, ou emergindo do Vazio
horizonte vazio homem vazio
e tudo isso ficando para trás,
agora se levanta para ir atrás do vento
Melhor dizer, do: Vento
Pois pela Fenda da Palavra entramos e nesta Dobra assim aberta para a Neblina de sermos agora estamos em Andara e Aqui que é um Lá não se sabe onde e quando, Onde e Quando,
só se sabe que em Andara todas as coisas são coisas passando não duram não duram, sendo como na Vida,
mas se numa delas uma Atenção humana se demora,
essa coisa coisa logo se transforma em Coisa
e é assim que em Andara surgem coisasCoisa,
essas coisas não sendo mais as coisas ventos águas aves árvores pedras horizontes estrelas olhos noites dias
e se tornando Entes
Ainda que entes neblinas
Na Penumbra Andara
Pois esse é o dom: o Dom, dessa Penumbra, aqui: pela Neblina dar vida que dure ao que fora de Andara sempre passa e some, em outras neblinas que não duram
Na Vida
Então,
vejam, olhando para trás,
quantas coisas assim mal começamos já quiseram ir mais além da duração que passa
e, pela Neblina,
se tornaram névoas que ganhando um eu: Eu, duram
Em Andara, sendo assim. Entendam. Sempre que se diz de um vento: o Vento
se nele eu me detenho mais que por um Alento distraído: nasce um ser
que já não é mais um fui serei,
mas um Sendo
E sendo, fosse Aquele Vento o que veio,
passando nos cabelos do homem
que agora, se erguendo, vai seguir o vento floresta adentro, Floresta adentro,
pois também uma floresta, em Andara
Ah,
Andara
Quantas névoas para resistir a carne que não dura
Mas mal se levantou aquele homem para dar o seu primeiro passo nesta história, e já tombando
pois tropeçasse numa pedra que estava em seu caminho,
entre ele e a Floresta, aquela pedra
e dela deve se dizer, também: pedraPedra
Melhor será deixar que as pedras da vida também penetrem em Andara que as árvores da vida também cresçam em andara que as aves da vida e as estrelas e insetos também rastejem e voem em Andara
melhor será deixar que Andara também seja apenas andara
pois como se mover no mundo mesmo sendo só este Esse mundo de palavras: Andara,
através de tantos entesEnte
tantas presençasPresença
e tantos seresSeres
Ser de Escritura
Entendam:
isto, sendo um Livro, é só um Serdescritura, onde palavras que se alucinam já não sabem que Sonhando vivem
e nenhuma Lei impede que de um Ente se diga ente
que de um ente se diga Ente
E que de Andara se diga ora andara ora Andara
Porque agora esta escritura: Escritura,
assim tão recente, mal se iniciando a história já se desfaz toda em ruínas, e é antiga como o Caos: o caos
de onde tudo,
vida e sonhos,
se origina?
Ah
O Que escreveu essa primeira Origem? A do Caos
Recomecemos,
indo, por entre o que passe e dure palavras coisas e vida em vida e neblina em neblina
Recomeçando: Fosse uma vez em andara
Um Homem olhando um Horizonte vazio de repente viu outro horizonte vazio em si
O que faz um homem quando cai assim sem ter mais o amparo de estrelas e carne nO Vazio sem Fim Fora e dentro de si?
Debaixo dele desaparecendo a terra sobre ele sumido céu
e sua cabeça Tombou para o peito escuro sem fundo
ficou ali nO escuro nada havia a fazer a não ser Ficar Ali
e depois
mal se levantou aquele homem para dar o seu primeiro passo, renascido, e já Tombando
tropeçando numa pedra que estava em seu Caminho,
aquela pedra entre ele e a floresta,
pedraPedra
Melhor seria se as pedras da vida em Andara
Ah,
o certo é que o homem tropeçou na pedra, e um osso se partindo em seu pé esquerdo,
já começasse ele a sua busca do vento sumido na floresta como um homem é
coisa que avança Cambaleante, buscando
e cambaleando
e a pedra ia rolando atrás dele
Por que aquela pedra agora o seguia enquanto ele seguia o vento, um partido Osso Órfão por companhia,
um pé de Dor o levando
um pé sem dor o retendo, atrás
pois cada passo que o esquerdo dava e doía
o faziam se apoiar no direito e não querer mais avançar mais nenhum passo em direção à dor que o esperava, sempre o esperando aquela dor um passo mais adiante
Da Dor se diga que pela dor que lhe causara a pedra a ele se unira
Pedra de Compaixão?
O que nunca se viu,
agora se visse. Aquela pedra assim se humanizando, seguindo um homem e seu osso órfão que partira
Oh, vejam quantas coisas podem nos acontecer só por sermos homens
Agora aqui se dando, pela compaixão daquela Pedra, o contrário daquilo que Aquele, antes de nós vindo e bem antigo, disse
- O homem é a medida de todas as coisas, das que são que são e das que não são que não são
Quem?
Que homem, agora no Tempo desnutrido. Qual pedra assim nutrida pela Dor?
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)


